A história da Clif Bar

A empresa concentrou seus esforços em nichos como ciclismo, MTB, escalada, trail run e triathlon

A história da Clif Bar
O autraliano Chris McCormack, um dos grandes patrocinados pela Clif Bar

Quando o ciclista e padeiro californiano Gary Erickson decidiu criar uma barra energética diferente, no início dos anos 1990, ele não estava apenas desenvolvendo um produto — passou quase dois anos desenvolvendo a receita na cozinha da mãe, tentando criar uma barra energética saborosa, macia e com ingredientes mais naturais — estava definindo também uma estratégia de posicionamento que se tornaria central para o crescimento da Clif Bar & Company (O nome “Clif” é uma homenagem ao pai de Gary, Clifford Erickson).

Desde o começo, a marca optou por trilhar um caminho diferente no marketing esportivo: menos foco em performance de elite e mais conexão com a cultura da aventura e dos esportes de resistência.

Em vez de investir em modalidades de massa, como futebol ou basquete, a empresa concentrou seus esforços em nichos apaixonados, como ciclismo de longa distância, mountain bike, escalada, trail run e triathlon, chegando a patrocinar, entre outros triatletas, nomes como o australiano Chris McCormack, bicampeão mundial do Ironman do Havaí, Campeão Mundial da ITU e Campeão mundial de Longa Distância, entre outros inúmeros títulos, e Joanna Zeiger, campeã mundial de Ironman 70.3, 4ª colocada nas Olimpíadas de 2000/Sydney e campeã do Ironman Brasil 2005.

A escolha não era aleatória. Erickson era parte desse universo e conhecia suas demandas — tanto nutricionais quanto culturais. Ao se inserir organicamente nessas comunidades, a Clif construiu uma reputação de autenticidade que grandes marcas frequentemente têm dificuldade em alcançar.

O patrocínio a atletas refletiu essa filosofia. A empresa apoiou nomes relevantes do cenário outdoor, mas também investiu em competições independentes e eventos locais, fortalecendo laços com praticantes amadores e entusiastas. Mais do que associar sua imagem à vitória, a Clif buscou vincular-se à experiência da jornada — ao esforço individual, à superação e ao espírito explorador.

Outro eixo importante foi a sustentabilidade. Em sintonia com a cultura ambiental da Califórnia, onde a empresa foi fundada, a marca integrou ao discurso esportivo temas como alimentação orgânica, responsabilidade ambiental e energia limpa. O resultado foi um posicionamento que unia desempenho físico e consciência ecológica — um diferencial num mercado historicamente dominado por narrativas centradas apenas em performance e ciência esportiva.

A estratégia também incluiu forte presença em ações de marketing experiencial. Caminhões da marca circulavam por eventos e trilhas distribuindo produtos, aproximando-se diretamente do público. Essa abordagem ajudou a transformar consumidores em embaixadores espontâneos, reforçando a identidade comunitária da marca.

Com essa combinação de nicho, autenticidade e propósito, a Clif Bar consolidou-se como referência no universo outdoor, evitando confronto direto com gigantes do marketing esportivo tradicional. Ao vender não apenas energia, mas um estilo de vida, a empresa criou uma base de consumidores leais — um ativo que sustentaria seu crescimento por décadas e culminaria, anos depois, em sua aquisição pela multinacional Mondelēz International.