Antidoping 2026: As novidades da WADA

A versão 2026 reforça critérios sobre substâncias emergentes e métodos de manipulação biológica

Antidoping 2026: As novidades da WADA

A World Anti-Doping Agency (WADA) iniciou 2026 com mudanças importantes que reforçam o sistema global de combate ao doping e preparam o terreno para um novo ciclo regulatório no esporte internacional.

Desde 1º de janeiro de 2026, entrou em vigor a nova Lista de Substâncias e Métodos Proibidos, documento que orienta atletas, treinadores, médicos e federações sobre o que é vedado dentro e fora de competição.

Atualizada anualmente com base em evidências científicas e consultas a especialistas, a lista acompanha a evolução da farmacologia, das terapias médicas e das estratégias de manipulação de desempenho. A versão 2026 traz ajustes técnicos em diferentes categorias e reforça critérios sobre substâncias emergentes e métodos de manipulação biológica.

A agência recomenda que atletas verifiquem cuidadosamente medicamentos e suplementos antes do uso, já que a responsabilidade objetiva continua sendo um dos pilares do sistema antidopagem.

Código de 2027


Outra novidade relevante é a aprovação do novo Código Mundial Antidopagem 2027, que substituirá a versão atual no próximo ciclo olímpico. O Código é o principal documento normativo que harmoniza regras em todos os países e modalidades.

As atualizações buscam:

  • Fortalecer a proporcionalidade nas sanções
  • Modernizar procedimentos de gestão de resultados
  • Aprimorar mecanismos de investigação
  • Reforçar direitos e garantias processuais

Com isso, a WADA pretende aumentar a uniformidade global e reduzir divergências na aplicação das regras entre federações e organizações nacionais.

Modernização do sistema ADAMS


No campo operacional, a agência também avança na modernização do ADAMS (Anti-Doping Administration and Management System), plataforma global usada para registrar testes, dados de localização (whereabouts), resultados laboratoriais e autorizações de uso terapêutico.

Grupos de trabalho vêm discutindo um novo roteiro de desenvolvimento tecnológico para tornar o sistema mais eficiente, seguro e integrado, acompanhando a digitalização crescente do esporte de alto rendimento.

Novo padrão internacional para testes


Especialistas também revisaram o rascunho final do International Standard for Testing 2027, documento que orienta como os controles devem ser planejados e executados. A proposta enfatiza testes mais estratégicos, uso de inteligência de dados e aprimoramento da cadeia de custódia das amostras. A tendência é de maior foco em abordagens baseadas em risco e em análises direcionadas, combinando ciência laboratorial com investigação.

Educação e foco no atleta


Além das mudanças regulatórias, a WADA reforçou iniciativas educacionais voltadas diretamente aos atletas, ampliando materiais informativos e comunicação digital. A estratégia busca prevenir violações antes que ocorram, promovendo maior compreensão das regras e dos riscos.

As medidas adotadas em 2026 indicam que o sistema global de combate ao doping entra em um novo ciclo, com maior sofisticação tecnológica, atualização normativa e foco na integridade esportiva.

Para atletas e equipes, o recado é claro: acompanhar as mudanças regulatórias e manter controle rigoroso sobre substâncias utilizadas será ainda mais essencial nos próximos anos.

Novas inclusões e atualizações significativas (2026)

Exemplos adicionais em várias classes proibidas
Para facilitar a identificação de substâncias proibidas, a WADA acrescentou novos exemplos em categorias já existentes, incluindo:

S1 – Agentes anabolizantes: Foi esclarecido que ésteres de esteroides proibidos também se enquadram na proibição, ampliando o alcance dessa classe.

S2 – Hormonas peptídicas & fatores de crescimento: Pegmolesatide foi incluído como exemplo de agente mimético da eritropoietina (EPO), sinalizando maior atenção a substâncias que imitam hormonas de crescimento.

S4 – Moduladores hormonais e metabólicos: Novos compostos como ɑ-naphthoflavone (um inibidor de aromatase encontrado em suplementos) e BAM15 (ativador de AMPK) foram adicionados como exemplos.

S6 – Estimulantes: Exemplos de estimulantes não aprovados (como flmodafinil e fladrafinil) foram listados, reforçando proibições de substâncias com potencial ergogênico.

Nova proibição de métodos de manipulação

A utilização não diagnóstica de monóxido de carbono (CO) foi adicionada como novo método proibido (M1.4). Isto significa que usar CO com intuito de melhorar o rendimento (por exemplo, simulando hipóxia) não é permitido — embora o uso sob supervisão médica para fins diagnósticos ainda seja permitido.

Foi clarificada a proibição da retirada de sangue ou seus componentes fora de contextos específicos (como teste analítico ou doação legal).

Proibição expandida de dopagem genética e celular

Componentes celulares — como núcleos, mitocôndrias e ribossomos — foram incluídos explicitamente na lista de proibições sob métodos de gene e cell doping (M3), reforçando controles contra manipulações biologicamente sofisticadas.

Ajustes técnicos em substâncias já proibidas

Na classe S3 – Beta-2 agonistas, foram alterados os intervalos de dosagem de salmeterol para reduzir qualquer possível efeito ergogênico, embora o limite diário permaneça o mesmo.

Clarificações sobre glucocorticoides e formulações de libertação prolongada foram adicionadas à tabela de washout, para evitar confusões sobre detecção em testes.