O Risco oculto da Posição “Super Avançada” na Bike de Triathlon
Nos últimos anos, o bike fit no triathlon vem seguindo uma tendência cada vez mais agressiva para frente
Redação
Ângulos de selim mais fechados. Selins extremamente avançados. Apoios de braço posicionados muito à frente do eixo de direção.
O objetivo é claro: abrir o ângulo do quadril, melhorar a aerodinâmica e correr melhor após a bike.
Mas existe um efeito colateral pouco discutido que mais atletas — especialmente os age-groupers — precisam entender:
Deslocar o centro de gravidade demais para frente pode comprometer o controle, a estabilidade e a segurança da bicicleta.
Avançar não sai de graça
Quando a massa do atleta se desloca excessivamente em direção a roda dianteira, várias coisas acontecem:
• A roda dianteira fica sobrecarregada
• A roda traseira perde carga
• A direção se torna mais sensível e instável
• A margem de segurança nas curvas diminui
• Correções de emergência ficam mais lentas e exigem mais precisão
Em estradas retas, isso pode até parecer “rápido”. Em curvas, descidas, trechos técnicos, rajadas de vento ou situações de prova com tráfego intenso — a história é outra.
Uma bicicleta instável não é uma bicicleta rápida quando as condições reais de prova entram em jogo.

Curvas: Onde a velocidade realmente se perde
Muitos atletas ficam obcecados por watts e aerodinâmica, mas acabam perdendo muito mais tempo nas curvas por falta de estabilidade.
Uma posição excessivamente avançada:
• Exige micro-correções constantes na direção
• Reduz a confiança para inclinar a bicicleta
• Leva a frear mais cedo e por mais tempo
• Aumenta a fadiga da parte superior do corpo
Se você está tenso nas curvas, você não está pedalando de forma eficiente — não importa o quão aerodinâmico pareça no papel.
Atletas mais velhos: Isso afeta ainda mais
Com o envelhecimento, algumas realidades fisiológicas entram em jogo:
• Tempo de reação mais lento
• Redução da acuidade visual e da percepção de profundidade
• Menor mobilidade cervical, torácica e de quadril
• Menor tolerância a correções bruscas de equilíbrio
Uma posição que exige reflexos extremamente rápidos e ajustes constantes não é amigável para a idade.
O que um atleta de 25 anos pode “ganhar” com uma posição extrema, um atleta de 45 ou 60 anos pode perder — ou pior, sofrer uma queda.
Aerodinâmica vs. Controle: Uma troca falsa
Uma boa posição no triathlon precisa equilibrar:
• Aerodinâmica
• Produção de potência
• Conforto
• Controle e segurança da bicicleta
A posição mais rápida é aquela que você consegue manter com confiança, fazer curvas com fluidez e executar bem mesmo sob fadiga.
Se você está “brigando” com a bicicleta, está perdendo velocidade.
O que procurar em uma posição inteligente no Triathlon
Em vez de buscar extremos, priorize:
• Distribuição equilibrada do peso entre as rodas
• Direção estável em alta velocidade
• Capacidade de fazer curvas sem frear excessivamente
• Uma posição que você consiga controlar quando estiver cansado, estressado ou pedalando em grupo
Especialmente para atletas masters, controle é igual a velocidade.
Consideração Final
Tendências vêm e vão. A física não muda.
Antes de copiar a posição ultra-avançada de um triatleta profissional, lembre-se:
• Profissionais competem em percursos fechados (PTO)
• Com asfalto perfeito
• E tempo de reação de elite, diferente da reação do amador
A sua posição deve se adaptar ao seu corpo, à sua idade, à sua mobilidade e às condições reais de prova.
"Rápido não é apenas ser aerodinâmico. Rápido é ser estável, confiante e no controle."
Sergio Borges já classificou 105 atletas para o Ironman do Havaí (Campeonato Mundial) tem formado campeões de Ironman e 70.3 além de levar vários atletas amadores ao pódio.
Para maiores informações sobre programas de treinamento ou clínicas, consulte o website: www.sbxtraining.com