Taylor Knibb conquista Mundial de forma dramática
Colapso da norueguesa Solveig Løvseth no final da maratona faz o roteiro do Mundial de 2026 digno de filme
Redação
O Campeonato Mundial de IRONMAN feminino transformou Kailua-Kona, no Havaí, em palco de uma reviravolta extraordinária neste sábado (10). Depois de liderar boa parte da disputa, enfrentar dificuldades durante a maratona e perder momentaneamente a primeira colocação, a norte-americana Taylor Knibb encontrou forças para reagir no momento decisivo e conquistar seu primeiro título mundial na distância full, com o tempo de 8h36min29s.
A vitória veio de maneira dramática. A norueguesa Solveig Løvseth, campeã mundial em 2025, parecia caminhar para a defesa do título quando assumiu a liderança na parte final da corrida. A menos de dois quilômetros da chegada, porém, passou a apresentar sinais severos de exaustão, cambaleou e caiu. Knibb voltou a ultrapassá-la e seguiu rumo à linha de chegada na Aliʻi Drive, enquanto a atual campeã lutava para concluir a prova.
O desfecho teve um componente simbólico difícil de ignorar: em 2025, Knibb havia perdido a oportunidade de brigar pela vitória após sofrer uma quebra física na corrida. Um ano depois, a americana voltou a enfrentar dificuldades, mas conseguiu se recuperar e transformar a frustração anterior em consagração.
Uma largada difícil
A prova começou nas águas da baía de Kailua, com 3,8 km de natação, sob condições de mar agitado e uma manhã chuvosa. A britânica Lucy Charles-Barclay, uma das melhores nadadoras do circuito e campeã mundial em 2023, confirmou seu favoritismo na primeira modalidade.
Charles-Barclay saiu da água em 51min29s, abrindo 1min26s sobre Knibb. A espanhola Marta Sánchez e sua compatriota Lara Hernández-Tomé também fizeram uma natação consistente, terminando entre as primeiras colocadas, num pack onde também estava a brasileira Pâmella Oliveira.
A alemã Laura Philipp, campeã mundial em 2024, perdeu terreno na água e precisaria construir sua recuperação nas duas modalidades seguintes. A norueguesa Løvseth também encerrou a primeira etapa atrás das principais líderes, mas ainda dentro de uma diferença administrável para quem teria 180 km de ciclismo pela frente.
O cenário inicial favorecia Charles-Barclay. Mas Kona raramente permite que uma vantagem construída em uma única modalidade determine o resultado final.
No ciclismo, Knibb assume o controle
Se a natação colocou Charles-Barclay na dianteira, o ciclismo mudou completamente a dinâmica da disputa. Knibb rapidamente neutralizou a diferença e iniciou uma batalha direta com a britânica pelos 180 km do percurso, marcado pela exposição ao sol, pelo vento e pelas longas retas da Queen Kaʻahumanu Highway.

As duas alternaram a liderança diversas vezes no caminho até Hawi e na volta para Kona. Knibb, reconhecida por sua potência sobre a bicicleta, começou a construir uma vantagem mais consistente na parte final da modalidade. Ao completar o percurso em 4h40min07s, assumiu a dianteira na segunda transição, com pouco mais de três minutos sobre Charles-Barclay.
Løvseth também avançou no ciclismo e chegou à corrida em posição de disputar o pódio, embora ainda estivesse a quase cinco minutos da americana. Philipp, por sua vez, apostava em sua capacidade de corrida para recuperar o terreno perdido na natação.
A etapa sobre duas rodas foi decisiva para colocar Knibb em posição de vencer. Mas o resultado ainda estava longe de ser definido: restavam 42,2 km de corrida, a modalidade em que o calor e o desgaste acumulado poderiam mudar tudo.
Teste de sobrevivência
A corrida começou com Knibb no comando, mas a vantagem construída no ciclismo não significava tranquilidade. A americana enfrentou dificuldades físicas durante a maratona, chegou a vomitar e viu o ritmo diminuir. Charles-Barclay, que havia sido a primeira a sair da água, também não conseguiu sustentar o ritmo necessário para disputar a vitória até o fim.
Enquanto isso, Løvseth avançava. A norueguesa, que havia conquistado o título em 2025, começou a reduzir a diferença com uma corrida progressiva e eficiente. Na parte final do percurso, ultrapassou Charles-Barclay (que acabou por abandonar a prova) e passou a perseguir Knibb.
A poucos quilômetros da chegada, a situação parecia se repetir em sentido inverso à edição anterior. A campeã norueguesa assumiu a liderança, enquanto a americana tentava resistir à quebra física. A defesa do título estava ao alcance de Løvseth.
Foi então que a prova sofreu sua reviravolta mais brutal.
Já nos quilômetros finais, com menos de dois quilômetros para a linha de chegada, Løvseth começou a cambalear e caiu. A norueguesa tentou se levantar, mas voltou a apresentar dificuldades para permanecer em pé e correr. Knibb, que vinha atrás, recuperou a liderança e seguiu em direção à chegada.
A americana cruzou a linha de chegada em 8h36min29s, conquistando o título mundial que lhe escapara no ano anterior. Løvseth conseguiu se recompor e completar a prova, terminando em oitavo lugar, em uma demonstração de persistência que contrastou com a dramaticidade dos instantes finais.
A cena resumiu a natureza implacável do IRONMAN: depois de 226 km de esforço, a diferença entre a consagração e a derrota pode se concentrar nos últimos metros.
Philipp e Derron completam o pódio
A alemã Laura Philipp terminou em segundo lugar, com 8h39min34s, a 3min05s da campeã. Apesar da perda de tempo na natação, a atleta apresentou uma corrida forte e confirmou sua consistência em provas de longa distância.
A suíça Julie Derron completou o pódio com 8h46min25s, em sua estreia no Mundial de Kona. A britânica Kat Matthews ficou em quarto, com 8h49min38s, enquanto a suíça Imogen Simmonds terminou em quinto, com 8h51min44s.
A classificação também evidencia como o equilíbrio entre as três modalidades é determinante em Kona. Knibb construiu sua vantagem principalmente no ciclismo, Philipp recuperou terreno na corrida e Derron sustentou uma atuação equilibrada para alcançar o pódio.
Brasil - PRO
Pâmella, de 39 anos, que fazia sua prova de despedida da distância Ironman (como profissional), se viu forçada a abandonar a disputa no ciclismo. Ela divulgou em seu Instagram que estava doente, o que veio a prejudicá-la. Quem está há muito tempo no esporte, como ela, sabe que esses infortúnios acontecem e não marca toda a linda e vitoriosa carreira que ela construiu, sendo duas vezes atleta olímpica e tetracampeã do Ironman Brasil. Uma lenda do nosso triathlon.
IRONMAN WORLD CHAMPIONSHIP 2026
Kailua-Kona, Hawaii
|
RANK |
IM WC HAWAII |
SWIM 3.8K |
BIKE 180K |
RUN 42K |
TOTAL |
|
1 |
TAYLOR KNIBB |
52:55:00 |
4:40:07 |
2:57:46(3) |
8:36:29 |
|
2 |
LAURA PHILIPP |
1:00:03(23) |
4:43:00(3) |
2:50:43 |
8:39:34 |
|
3 |
JULIE DERRON |
53:09(6) |
4:49:35(9) |
2:58:54(4) |
8:46:25 |
|
4 |
KAT MATTHEWS |
54:57(11) |
4:55:34(15) |
2:52:50(2) |
8:49:38 |
|
5 |
IMOGEN SIMMONDS |
53:08(5) |
4:45:21(6) |
3:07:45(10) |
8:51:44 |
|
6 |
LISA PERTERER |
54:34(10) |
4:43:54(5) |
3:08:31(11) |
8:52:54 |
|
7 |
HANNAH BERRY |
53:12(7) |
4:45:23(7) |
3:15:26(18) |
8:59:41 |
|
8 |
SOLVEIG LØVSETH |
55:29(13) |
4:42:12(2) |
3:19:08(21) |
9:02:09 |
|
9 |
ANNE-SOPHIE PIERRE |
1:04:01(26) |
4:52:08(12) |
3:02:25(7) |
9:03:49 |
|
10 |
GRACE THEK |
57:12(15) |
5:01:04(21) |
3:02:41(8) |
9:06:37 |
|
11 |
ELISABETTA CURRIDORI |
1:04:41(27) |
4:57:25(17) |
3:02:03(6) |
9:09:30 |
|
12 |
LOTTE WILMS |
54:31(8) |
4:51:27(10) |
3:16:47(19) |
9:09:48 |
|
13 |
MARTA SÁNCHEZ |
52:59(2) |
4:54:01(13) |
3:17:18(20) |
9:10:25 |
|
14 |
SARA SVENSK |
1:04:43(28) |
4:57:58(18) |
3:05:21(9) |
9:14:38 |
|
15 |
MARTA LAGOWNIK |
59:55(18) |
5:07:41(27) |
3:01:22(5) |
9:14:44 |
|
16 |
JENNY JENDRYSCHIK |
1:00:00(21) |
4:58:10(19) |
3:12:14(15) |
9:15:40 |
|
17 |
REGAN HOLLIOAKE |
54:32(9) |
4:48:21(8) |
3:28:22(30) |
9:17:18 |
|
18 |
PAULA FINDLAY |
55:02(12) |
4:43:41(4) |
3:36:00(33) |
9:20:01 |
|
19 |
RACHEL ZILINSKAS |
53:07(4) |
4:54:32(14) |
3:26:15(29) |
9:20:49 |
|
20 |
JANA UDERSTADT |
1:04:47(29) |
4:59:39(20) |
3:11:03(13) |
9:21:22 |
|
21 |
JACKIE HERING |
58:06(17) |
5:05:40(25) |
3:12:13(14) |
9:22:30 |
|
22 |
KAIDI KIVIOJA |
1:00:01(22) |
4:55:38(16) |
3:26:09(28) |
9:27:38 |
|
23 |
SKYE WALLACE |
1:03:11(25) |
5:01:08(22) |
3:19:20(22) |
9:29:33 |
|
24 |
CHARLOTTE MCSHANE |
57:13(16) |
5:18:29(34) |
3:10:00(12) |
9:32:09 |
|
25 |
KATE CURRAN |
57:10(14) |
5:18:41(35) |
3:13:11(16) |
9:35:19 |
|
26 |
LEONIE KONCZALLA |
1:08:19(34) |
5:02:06(23) |
3:19:25(23) |
9:35:33 |
|
27 |
SAMANTHA SKOLD |
1:16:57(37) |
5:04:21(24) |
3:14:45(17) |
9:41:59 |
|
28 |
LARA HERNANDEZ-TOME |
53:00(3) |
5:10:55(28) |
3:32:53(32) |
9:44:29 |
|
29 |
RHIANNE HUGHES |
1:10:16(35) |
5:12:09(29) |
3:20:41(24) |
9:48:29 |
|
30 |
NIKITA PASKIEWIEZ |
1:07:41(32) |
5:16:27(33) |
3:21:32(25) |
9:51:46 |
|
31 |
ARLETTE GONZALEZ |
1:04:48(30) |
5:16:26(32) |
3:23:57(27) |
9:52:59 |
|
32 |
ANNA PABINGER |
1:16:09(36) |
5:06:24(26) |
3:23:45(26) |
9:53:00 |
|
33 |
GABRIELLE LUMKES |
59:58(19) |
5:14:00(31) |
3:41:44(34) |
10:01:32 |
|
34 |
ANTONIA MILOWSKY |
59:59(20) |
5:32:58(36) |
3:30:04(31) |
10:10:04 |
|
35 |
PENNY SLATER |
1:00:13(24) |
5:13:44(30) |
3:51:49(35) |
10:12:06 |